A avaliação do Renault Fluence Privilège

Na disputa ininterrupta das montadoras por um lugar ao sol no segmento dos sedans médios, não vão faltar novidades no mercado nacional este ano. Entre elas está o Renault Fluence. O sedan foi lançado em dezembro do ano passado.

O modelo francês chega para conseguir um espaço entre os campeões do segmento, como Toyota Corolla e Honda Civic. O Fluence chega para tentar se destacar no segmento, mesmo com o fracasso de vendas do seu antecessor, o Mégane, que foi um excelente carro, mas não chegou aqui em sua segunda geração, que é vendida no mercado europeu atualmente. A Renault preferiu investir em um modelo que tem um melhor custo/benefício e está otimista com as vendas e estima comercializar cerca de 20 mil unidades em 2011 e chegar na frente do Chevrolet Vectra, o terceiro colocado no ranking da Fenabrave. O Fluence é fabricado na Argentina e começou a ser vendido em fevereiro no Brasil.

O modelo que custa à partir de R$ 59.990, na versão Dynamique, já sai da linha de montagem com seis airbags, acendimento automático dos faróis, freios ABS com distribuição eletrônica da força de frenagem (EBD) e assistência a frenagem de emergência (AFU), faróis de neblina, sensor de chuva, ar condicionado digital de duas zonas, chave-cartão e rádio CD MP3, o preço sobre para R$ 64.900 com câmbio automático CVT.

A versão avaliada, a Privilège, é a mais completa, com bancos revestidos em couro (na cor cinza claro), GPS (Carminat Tom Tom) integrado ao painel, controle eletrônico de estabilidade (ESP) e controle de tração (ASR), sensor de estacionamento traseiro, rodas de 17 polegadas, dois tons no acabamento interno, retrovisores rebatíveis automaticamente, piloto automático e sistema de som 3D, além do câmbio CVT de série, com esses adereços extras o sedan custa R$ 75.990. Com faróis de xênon com regulagem de altura e lavador e teto solar elétrico, o preço sobe em R$ 4 mil, ficando em R$ 79.990.

Com linhas suaves e marcantes, o Fluence chama a atenção por onde passa, mesmo pesando o fator novidade. O sedan tem faróis que avançam sobre o para-lama lateral, o losango da marca se destaca na dianteira, assim como a grade do radiador envolvida por uma borda cromada e os vincos nas extremidades do capô, formando uma imagem ousada.

Visto de lateral suas linhas fluidas dão a sensação de movimento, com destaque para os dois vincos, um na parte inferior, em forma de borrachão (na cor do carro) e outro na altura da cintura, que vai subindo até a linha do porta-malas e as maçanetas, que são pintadas na cor prata, nesta versão avaliada. Visto de traseira o destaque fica por conta das lanternas de formato geométrico, que invadem as laterais e a tampa do porta-malas, formando um conjunto harmonioso. No centro da tampa está o losango da marca e o nome “Fluence” logo abaixo, que se junta ainda com uma régua cromada logo acima da placa. O para-choque tem linhas limpas com dois refletores na cor vermelha em sua extremidade. Os indicadores de direção estão embutidos nos retrovisores.

Por dentro, o carro mostra seu valor, o ambiente é aconchegante e agradável para quem anda na frente ou atrás. Não falta conforto para os ocupantes, como ar-condicionado digital duas zonas, vidros, travas, abertura do porta-malas e retrovisores elétricos. Para o motorista as facilidades estão todas à mão, como a direção hidráulica, que é bem leve, o volante revestido em couro tem ótima empunhadura e ainda oferece regulagem de altura e profundidade, que também acumula as funções do piloto automático e do rádio, tudo para dispersar o mínimo possível a atenção do motorista.

Os bancos de couro são bem macios e fáceis de regular, fazendo com que a posição de dirigir seja fácil de achar, com todas as regulagens possíveis. Para quem não grava nomes de ruas e lugares, pode aproveitar o sistema de navegação GPS desenvolvido em parceria com a TomTom, sua tela de cinco polegadas colorida, chama a atenção e trás informações sobre a rota, horário, temperatura externa e do sistema de som, que pode ser utilizado por um pequeno controle remoto.

Ainda na parte interna as duas tonalidades na cabine deixam o interior mais requintado, os materiais são de boa qualidade e agradáveis ao toque dos dedos, principalmente na parte superior do painel, que é bem macio. Detalhes pintados na cor cinza, imitando cromado também estão espalhados por toda área do habitáculo, como nas extremidades do volante, no rádio, no painel do ar-condicionado, nas saídas de ar do painel, no pomo da alavanca do câmbio automático e nas portas, um acabamento que merece destaque.

Sob o capô ronca o motor 2.0 de 16V Flex, que trabalha em parceria com o excelente câmbio CVT, o conjunto é o mesmo encontrado no Nissan Sentra. O propulsor entrega 90% dos 20,3 kgfm de torque a 2.000 rpm, que empurra tranqüilamente os 1.369 kg do Fluence, ao pisar no acelerador o motor se mostra bem disposto, o câmbio não dá trancos e as acelerações são lineares o tempo todo.

Nas curvas as rodas de alumínio de 17 polegadas (de série nesta versão) calçadas com pneus 205/55 R17 seguram bem o sedan, que se comporta como se estivesse em trilhos, mesmo em situações bem críticas, como em algumas curvas feitas em velocidade mais rápida. Durante o teste o carro chegou a sair um pouco de traseira, mas nada que assustasse. O único inconveniente das rodas grandes é na hora de atravessar uma lombada ou passar pelas ruas esburacadas do Rio de Janeiro, durante toda a avaliação foram sentidas as batidas da suspensão dentro da cabine. Mas conforto é prioridade deste sedan da Renault, por dentro não se ouve nenhum barulho, deixando as viagens bem agradáveis. A suspensão é macia e equilibrada e transmitem segurança ao volante o tempo todo.

A Renault pretendo com o Fluence algo impensável há poucos anos atrás, desde o lançamento da segunda geração do Mégane, em 2006, que é ocupar a terceira posição no ranking das montadoras, onde atualmente ocupa a quinta colocação. E segundo os executivos da marca, conseguir tal feito em até cinco anos. Entre os principais concorrentes está o New Civic, que é mais confortável, mas tem uma suspensão mais dura e menos itens de conforto, do outro lado o Toyota Corolla, que é mais confortável e tem um motor mais disposto e o Chevrolet Vectra, que apesar de estar defasado em relação aos outros, tem muitos clientes fiéis a marca da gravata dourada.

*FICHA TÉCNICA

Motor
Motorização 2.0 16V Hi-Flex — –
Número de Cilindros 4 — –
Número de válvulas 16 — –
Potência máxima (ISO/ABNT) 143 cv (álcool) @ 6.000 rpm / 140 cv (gasolina) @ 6.000 rpm — –
Tipo de combustível Gasolina e/ou Álcool — –
Tipo de motor 2.0 16V H-Flex DOHC CVVT — –
Torque Máximo 20,3 mkgf (álcool) @ 3.750 rpm / 19,9 mkgf (gasolina) @ 3.750 rpm — –
Peso (kg)
Peso em ordem de marcha (kg) 1.372 kg — –
Rodas e Pneus
Tipo da roda Liga leve — –
Tipo do pneu 205/55 R17 — –
Suspensão
Suspensão dianteira Tipo McPherson, com braço inferior triangular, barra estabilizadora, molas helicoidais e amortecedores hidráulicos — –
Suspensão traseira Eixo soldado em “H” de deformação programada, molas helicoidais, barra estalizadora integrada e amortecedores — –
Transmissão
Câmbio Automática CVT X-Tronic, com opção de trocas sequenciais de 6 marchas
Capacidades
Capacidade do Tanque de Combustível 60 litros — –
Volume do porta-malas (L) 530 — –
Carga
Carga útil 413 kg — –
Desempenho
Aceleração 0 – 100Km/h (s) 9,9 s (álcool) / 10,1 s (gasolina) — –
Velocidade Máxima (Km/h) 195 km/h — –
Dimensões
Altura 1.470 mm — –
Bitola dianteira (mm) 1.541 mm — –
Bitola traseira (mm) 1.563 mm — –
Comprimento 4.620 mm — –
Entre eixos 2.700 mm — –
Largura sem retrovisores 1.810 mm — –
Direção
Direção Elétrica com Assistência Variável e diâmetro de giro de 11,1 m — –
Frenagem
Freios Sistema ABS com auxílio de frenagem de urgência – AFU – e distribuição eletrônica de frenagem – EBD, discos — –

*Dados de fábrica

Texto: Marcus Lauria – CarpointNews | Imagens: CarroHoje.com

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