Avaliação – Renault Sandero GT Line 1.6 8V 2013

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O carro é vermelho. Em sua dianteira, na base do para-choque há uma espécie de spoiler de bom gosto, enquanto os faróis com máscara negra são vistosos. A saia lateral é parruda e as rodas pintadas de preto contrastam com os retrovisores pintados com a mesma cor. Na traseira, o para-choque traz uma espécie de difusor, enquanto a ponteira cromada do escapamento e um aerofólio integrado na cor preta completam o visual.

No interior, volante e alavanca de câmbio são revestidos em couro, com costuras vermelhas. Em volta das saídas de ventilação há anéis em vermelho, cor essa que se aplica também aos cintos de segurança, molduras em volta de velocímetro e conta-giros e também está presente na costura dos bancos. Nos apoios de cabeça dianteiros, inscrições “GT Line” saltam aos olhos, e o conta-giros, apenas ele, é branco e se destaca.

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Eis um carro bem esportivo, só que não. Apesar das rodas exclusivas, elas são de aro 15, assim como nos Sandero à paisana, e calçadas por pneus Goodyear GPS3 de medida 185/65 R15, que são cumpridores, mas em um modelo esportivo fica tão adequado quanto um ativista do Greenpeace usando casaco de pele. A suspensão não foi modificada, e entrega ao Sandero GT Line o mesmo comportamento suave e estável de um Logan. O motor é elástico, mas fica desanimado em altos giros, e a alavanca de câmbio é precisa, mas é um pouco boba e tem engates longos.

Mas vamos enxergar o Sandero GT Line como uma moça vistosa, em traje atraente, mas pacata e caseira. Seus lugares preferidos são um cinema ou um bom restaurante, em detrimento a bares e baladas. Vendo dessa forma, o carro da Renault começa a mostrar suas virtudes. Seu motor K7M 1.6 8V foi melhorado, com taxa de compressão aumentada de 9,5:1 para 12:1 (mais adequada ao Etanol), além da adoção de bielas mais leves e pistões redesenhados. O resultado foi uma potência de 98/106 cv @ 5550 rpm e um torque de 14,5/15,5 kgfm @ 2850 rpm (Gasolina/Etanol), enquanto o propulsor anterior entregava 92/98 cv @ 5250 rpm e 13,7/14,1 kgfm @ 2850 rpm.

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O carro custa R$ 39.070 e traz de série ar-condicionado, direção hidráulica, vidros elétricos dianteiros, travas elétricas, rádio com bluetooth, porta USB e comando satélite na coluna de direção, freios com ABS e duplo airbag frontal. Não há opcionais, e a cor vermelha do carro testado é sólida, sem custo adicional. O interior do carro é um latifúndio, na dianteira há espaço de sobra, enquanto na traseira eu diria que cabem três Marcelos (de 1,90 m) sem dificuldade. Seu porta-malas de 320 litros é um dos maiores em sua categoria.

Em movimento, é notável a elasticidade do motor, que entrega 85% do seu torque máximo já a 1.500 rpm. Na prática, é possível retomar de 50 a 100 km/h em quinta marcha sem marasmo, bem adequado para o comportamento típico do motorista brasileiro, que não gosta de reduções. As relações de marcha são ligeiramente curtas, principalmente da 1ª e 2ª, e a 120 km/h em 5ª o motor gira a 3.400 rpm. Apesar das modificações, o bloco é um pouco áspero, principalmente conforme o giro sobe.

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A suspensão do Sandero GT Line é boa, com excelente compromisso entre absorção de impactos e comportamento dinâmico. Com bancos confortáveis (apesar de possuir encosto curto para motoristas altos), boa posição de dirigir (mesmo com o volante de aro fino demais) e caprichada absorção de ruídos, o conforto fica em nível elevado dentro do carro. Na estrada, a 100 km/h, quase não se ouvem ruídos aerodinâmicos ou ruído de rolagem dos pneus. A qualidade de vida a bordo é garantida por um rádio de qualidade e um ótimo ar-condicionado, que segurou bem a onda nos dias de calor intenso no Rio. Pena que sejam tão ruins a ergonomia (comandos do ar-condicionado e vidros elétricos mal localizados) e o acabamento interno.

Quando o acelerador é colado no assoalho, o fôlego do motor fica comprometido conforme as rotações passam da marca de 4.500 rpm, mostrando uma certa falta de ânimo. O modelo anterior do Sandero GT Line usava o bloco 1.6 16V, que gera 107/112 cv @ 5.750 rpm e 15,1/15,5 kgfm @ 3.750 rpm, bem mais animado e adequado à proposta esportiva. Ademais, o comportamento dinâmico é muito bom, com pouca rolagem de carroceria e ligeiro subesterço no limite, principalmente em curvas de baixa. Sua direção hidráulica tem ótimo peso em velocidade e os freios a disco ventilado na dianteira e tambor na traseira são meio preguiçosos e comandados por um pedal borrachudo, com auxílio do ABS.

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Com retrovisores de tamanho adequado e boa área envidraçada, o Sandero tem ótima visibilidade em todas as direções. Nas manobras a direção hidráulica se mostrou meio pesada, enquanto seu diâmetro de giro é de 10,5 m. Na prática é fácil manobrar o Sandero, mesmo sem auxílio de sensores de estacionamento.

Apesar da quilometragem baixa do carro no início do teste, após rodar cerca de 900 km com o modelo, conseguimos boas médias de consumo com Etanol (8,6 km/l) e Gasolina (10,3 km/l), indicando que as modificações feitas no motor K7M renderam bons frutos ao modelo.

A receita é interessante, bem esportiva aos olhos e inclusive bem atraente, mas é uma pena que o carro não tenha recebido nenhuma pitada de pimenta a mais. Seus pontos positivos são o ajuste de suspensão, o consumo e a elasticidade do motor. De negativo podemos destacar o acabamento interno, a falta de fôlego em altas rotações e o desempenho dos freios.

Ficha Técnica

Motor: SOHC 1.6 8V Hi-Power
Alimentação: Injeção eletrônica sequencial
Combustível: Gasolina/Etanol
Potência (cv): 98/106 @ 5.550 rpm (G/E)
Torque (kgfm): 14,5/15,5 @ 2.850 rpm (G/E)
Cilindradas (cm³): 1.598
Velocidade Máxima (km/h)*: 177/179 (G/E)
Tempo 0-100 km/h (s)*: 11,5/11,1 (G/E)

Dimensões
Altura (mm): 1528
Largura (mm): 1746
Comprimento (mm): 4021
Entre-eixos (mm): 2591
Peso (kg): 1055
Tanque (L): 50
Porta-malas (L): 320
Ocupantes: 5
Mecânica
Câmbio: Manual de 5 marchas
Tração: Dianteira
Direção : Hidráulica
Suspensão dianteira: Independente, tipo McPherson
Suspensão traseira: Eixo de torção
Freio dianteiro: Disco ventilado, com ABS
Freio traseiro: Tambor, com ABS

*Dados do Fabricante
Texto: Marcelo Silva | Imagens: Marcus Lauria – CarpointNews