Fiat Punto Essence 1.6 Dualogic

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O Fiat Punto é o compacto premium mais democrático do mercado nacional, vendido em quatro versões (com direito a uma turbinada T-Jet), quatro motores e duas opções de câmbio, além de uma ampla gama de equipamentos, e atuação em várias faixas de preço.

O novo visual do carro foi lançado em 2012, inspirado no Punto Evo europeu, e trouxe ainda mais requinte ao modelo, principalmente no interior. O Punto T-Jet já passou pela nossa avaliação, e agora é a vez da versão intermediária Essence 1.6 16V, equipada com o câmbio automatizado Dualogic Plus.

O Punto Essence 1.6 16V Dualogic parte de R$ 44.140,00 e já traz de série ar-condicionado, direção hidráulica, vidros dianteiros elétricos, travas elétricas, computador de bordo, coluna de direção regulável em altura e profundidade, banco do motorista com regulagem de altura, airbag duplo frontal, ABS e cruise control, entre outros. Nosso modelo testado veio na cor sólida Vermelho Alpine, trazendo os seguintes opcionais: alarme antifurto (R$ 424), Kit Creative 4 (R$ 2.495), Kit High Tech (R$ 726), sensor de estacionamento com visualizador gráfico (R$ 617), vidros elétricos traseiros (R$ 647) e borboletas para troca de marcha (R$ 284), totalizando R$ 49.333 no preço final do carro.

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Na primeira impressão do exterior, nota-se que a reestilização deixou o carro mais encorpado e harmônico. A dianteira do modelo anterior era muito simples, trazendo uma impressão de que faltava algo, e isso foi resolvido pelo novo aplique em cor cinza no para-choque. A traseira recebeu o mesmo tipo de aplique, e as lanternas com LEDs deram um ar de modernidade ao carro. Durante a avaliação, percebi vários olhares de cobiça para o Punto vermelho, com razão, pois o carro é bastante atraente, em especial com as belas rodas aro 16, opcionais.

A posição de dirigir do Punto é uma das melhores do mercado, com amplas regulagens do volante e banco do motorista. Para ficar perfeito ao meu gosto, o banco poderia ficar mais rente ao solo, como ocorre no Chevrolet Sonic. A ergonomia também é boa, com comandos bem localizados e intuitivos. Nessa versão equipada com Blue & Me (comandos do rádio e bluetooth no volante) e câmbio Dualogic com borboletas, praticamente não se tira as mãos do volante durante a condução, exceto para regular o pouco-eficiente sistema de climatização, que sofreu no calor de 40 graus do Rio de Janeiro. Infelizmente a versão Essence não oferece ar-condicionado digital, este restrito às versões Sporting e T-Jet.

O conforto à bordo na dianteira é garantido por bancos largos, com espuma de boa densidade, que não cansam o corpo, mesmo após horas de viagem ou de engarrafamento, e além disso, sobra espaço para os pés, ombros e cabeça. Na traseira o espaço é aceitável para pessoas de no máximo 1,75m, quem cresceu um pouco mais fica com as pernas ficam mal-acomodadas e a cabeça raspa no teto. Com 1,90m (meu caso), é necessário viajar com o pescoço curvado. Com 280 litros, o porta-malas não é dos maiores, e a “boca” muito alta (longe do solo) dificulta a tarefa de carregar o compartimento com muito peso.

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Manobrar o carro é fácil por um lado, devido à direção hidráulica suave e suas dimensões não muito exageradas (comprimento 4,06 m, largura 1,68 m, entre-eixos 2,51 m), mas o diâmetro de giro de 10,9 m é exagerado, e atrapalha a vida de quem guarda o carro em garagens apertadas. Os retrovisores são excelentes, e o sensor de estacionamento compensa a visibilidade traseira deficiente por causa do pequeno vidro traseiro. O carro possui poucos pontos cegos, a maioria culpa das largas colunas A e C. Bons ângulos de entrada e saída facilitam a entrada/saída em rampas de garagem mal projetadas, sendo bem difícil raspar a dianteira nessas situações.

A parte mecânica do Punto é interessante, visto que seu propulsor de 115/117 cv (gasolina/etanol) não sofre para puxar os 1.217 kg do carro. Sua calibração de suspensão é boa, macia na medida certa, sem rolar em excesso ou atrapalhar a excelente estabilidade, que conta com a fiel ajuda dos excepcionais pneus Pirelli Cinturato P7 medida 195/55 R16 (que por sinal são melhores que os Pirelli P6 do Punto T-Jet). Por falar em estabilidade, o carro é ligeiramente dianteiro, com saídas de frente mais evidentes em curvas de baixa e neutralidade em curvas de alta. Freios a disco ventilado na dianteira e tambor na traseira seguram o carro sem dificuldade, e o ABS é agressivo na trepidação do pedal, mas atua sem falhas, e em frenagens mais fortes, o carro acende automaticamente as luzes de advertência. A direção é bem comunicativa e possui boa progressividade.

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Na cidade, o motor 1.6 16V E.TorQ demonstra elasticidade regular, culpa do torque máximo em rotação elevada (16,2/16,8 kgfm @ 4500 rpm com gasolina/etanol) e do câmbio Dualogic Plus, que em modo automático joga as marchas pra cima antes do motor “encher”. Para sanar essa morosidade, o ideal é brincar com as borboletas no modo manual ou usar o modo sport, que segura as marchas mais tempo (às vezes tempo demais). Já na estrada, o motor rende de forma deliciosa, bastando um kick down ou uma redução de duas marchas na borboleta (duplo clique rápido) para efetuar qualquer ultrapassagem sem sustos. O consumo médio observado foi de razoáveis 7,6 km/l, nos 1.200 km que rodamos com o carro em variadas condições, sempre com etanol no tanque de 60 litros e ar-condicionado ligado.

Nessa nova versão Plus do automatizado da Fiat, os trancos são bem leves, mas uma particularidade irritante é o câmbio segurar muito a primeira marcha em engarrafamentos, causando trancos indesejáveis quando se tira o pé do acelerador. A solução é passar para segunda marcha manualmente, ou sair sempre em segunda. No Dualogic Plus, também foi introduzido o sistema de “creeping”, aonde o carro se movimenta sozinho em primeira marcha ou em ré, facilitando manobras de estacionamento e partidas em ladeira. Para não precisar ficar pisando no freio o tempo todo em engarrafamentos no terreno plano, mova a alavanca para N ou engate a segunda marcha, em ambos os casos o freio pode ser liberado.

A relação de marchas do Punto 1.6 16V é muito boa para estrada, aonde em quinta marcha a 100 km/h, o conta-giros fica próximo às 2.600 rpm. Outra característica que faz o Punto um estradeiro é o baixo nível de ruído do motor, que só invade o habitáculo acima das 5.000 rpm, sob a forma de um urro apaixonante. Já ruídos aerodinâmicos só aparecem acima de 140 km/h, e o único incômodo é o ruído da rolagem dos pneus no solo, denunciando talvez pouca forração acústica nas caixas de roda. O cruise control, item de série, ajuda a manter o conforto em viagens, poupando o pé direito de esforço.

Em resumo, o Fiat Punto Essence 1.6 16V Dualogic se mostrou uma escolha interessante para casais sem filhos ou com filhos pequenos, que rodam ocasionalmente na estrada. Ford New Fiesta, Honda Fit e Chevrolet Sonic são seus principais concorrentes. Seus pontos positivos são a força do motor em altos giros, o conforto a bordo e o bom nível de itens de série. Já os pontos negativos são o espaço no banco traseiro, a falta de elasticidade do motor na cidade e o ar-condicionado pouco eficiente.

<em><b>Ficha Técnica:</b></em>

Motor: DOHC 1.6 16V

Alimentação:     Injeção multiponto.

Combustível:     Gasolina e Etanol

Potência (cv):    115 (G)/117 (E) @ 5500 rpm

Torque (kgfm): 16,2 (G)/ 16,8 (E) @ 4500 rpm

Cilindradas (cm³):            1.598

Velocidade Máxima (km/h)*:  181 (G)/ 184 (E)

Tempo 0-100 km/h (s)*:  10,5 (G)/ 10,3 (E)

Dimensões

Altura (mm): 1493

Largura (mm): 1687

Comprimento (mm): 4065

Entre-eixos (mm): 2510

Peso (kg): 1217

Tanque (L): 60

Porta-malas (L): 280

Ocupantes: 5

Mecânica

Câmbio: Automatizado sequencial de 5 marchas e embreagem simples

Tração: Dianteira

Direção                : Hidráulica

Suspensão dianteira: Independente, tipo McPherson

Suspensão traseira: Eixo de torção

Freio dianteiro: Disco ventilado, com ABS

Freio traseiro: Tambor, com ABS

<b>*Dados do Fabricante</b>

Texto e imagens: Marcus Lauria – <a href=”http://www.carpointnews.com.br” target=”_blank”>CarpointNews</a>