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Ford New Fiesta 1.6 Titanium Powershift

fiesta-1 Quando a Ford trouxe para o Brasil o New Fiesta, revolucionou o mercado dos hatches “Premium” com um modelo recheado de itens tecnológicos, em especial itens de segurança nunca vistos antes nessa faixa de preço, como os sete airbags (com airbag para o joelho do motorista) e controles de tração/estabilidade. Importado do México, o carro era vendido por aqui apenas em uma versão, com três níveis de acabamento diferentes e, apesar das qualidades, não chegou a cair no gosto do brasileiro, como a maioria dos modelos da marca.

Injustiças a parte, a situação mudou quando a Ford passou a fabricar o New Fiesta em solo brasileiro, seguindo o padrão visual do facelift que o modelo recebeu na Europa, lançado já na linha 2014. Entre as novidades, o carro passou a contar com três versões diferentes, duas opções de motorização e novos itens de série. Para completar com a cereja no bolo, o carro passou a trazer opção de câmbio DCT Powershift nos modelos 1.6, vindo a ser o modelo mais barato do Brasil com câmbio automatizado de dupla embreagem.

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A versão que avaliamos é a Titanium Powershift, topo da linha do modelo, que hoje é oferecida por R$ 55.990 e vem bem equipada de fábrica, com bancos em couro, ar-condicionado digital, central multimídia SYNC, sete airbags, controles de tração e estabilidade, freios com ABS, assistente de partida em rampa, sensores de chuva/crepuscular/estacionamento, controle de cruzeiro, direção com assistência elétrica e belas rodas aro 16. O único item que acrescenta R$ 1.270 ao preço é a pintura perolizada Vermelho Vermont do carro testado.

Visualmente o New Fiesta nacional incorpora a nova frente que dá identidade à Ford em todo o mundo, seguindo o conceito definido como “One Ford”, ou seja, apenas modelos globais são vendidos pela marca. O resultado do facelift ficou bom, harmonizando com o restante do carro, que quase não sofreu mudanças. Já no interior os bancos de couro são novos, mas o carro perdeu o painel com acabamento soft touch e o apoio de braço entre os bancos, apesar de contar com novo volante, novos acabamentos de porta, iluminação azul do painel e novos botões do rádio.

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Logo ao entrar no carro o motorista consegue configurar com facilidade o assento, que possui ampla regulagem longitudinal e de altura, característica compartilhada com a coluna de direção. Uma vez instalado no assento, o motorista pode sentir falta de um apoio melhor para as coxas, embora suas costas estejam muito bem guardadas pelo confortável encosto. O espaço nos bancos dianteiros é ótimo, mas os passageiros do banco traseiro sofrerão com falta de espaço para a cabeça e pernas.

Manobrar o carro de 3,96 m é tarefa fácil graças ao sensor de estacionamento traseiro com visualização gráfica e à leveza da direção elétrica combinada ao bom diâmetro de giro de 10,1 m. Os retrovisores proporcionam bom campo de visão para manobras, embora no trânsito o retrovisor esquerdo permita um perigoso ponto-cego, graças à sua lente plana e ausência dos “espelhos de coreano” que haviam no modelo mexicano.

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Com o carro em movimento na cidade nota-se que a suspensão teve sua calibração bem acertada para o piso brasileiro, filtrando bem os buracos e ondulações do caminho. A altura de rodagem não sofreu alteração em relação aos Fiestas no exterior, mas isso não interfere no trabalho de molas e amortecedores na cidade, sendo apenas necessário algum cuidado com lombadas mais altas e rampas de garagem mal projetadas, que podem fazer o defletor plástico na dianteira tocar o chão. Já o motor Sigma Ti-VCT 1.6 16V mostra toda sua elasticidade em conjunto com o câmbio DCT, que troca as marchas com suavidade e rapidez na maioria das situações. Porém, um pouco barulhento nas retomadas e arrancadas mais exageradas.

Tal elasticidade do motor é mérito de sua construção primorosa e o uso de artifícios como o comando de válvulas variável tanto na admissão quanto no escape. Embora o torque de 16 kgfm (E) apareça a elevados 5.000 RPM, mesmo quando o câmbio em Drive troca marchas bem cedo, o carro está sempre disposto a andar. Sua potência de 130 cv @ 6.500 rpm é a maior dentre os motores 1.6 do mercado, e deixa evidente a característica estradeira do New Fiesta.

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Ao jogar o compacto da Ford em um percurso sinuoso, nota-se como a suspensão na altura de projeto faz difereça na estabilidade, que é simplesmente fabulosa. Quando o limite chega, o carro mostra tendência dianteira, mas o controle de estabilidade atua antes que seus passageiros sequer arregalem os olhos. A direção elétrica mostra boa comunicação com o solo e uma progressividade ótima, enquanto os pneus Pirelli Cinturatto P7 de medida 195/50 R16 mostram seu valor tanto em piso seco quanto molhado. Os freios estão bem dimensionados para o carro e o ABS é bem permissivo, sem sustos.

O câmbio automatizado de dupla embreagem Powershift pode ser usado em Drive, aonde as trocas são feitas em baixas/médias rotações, ou Sport, quando o câmbio estica os giros do motor até próximo da rotação de potência máxima, otimizando o desempenho do motor. Há um modo sequencial que pode ser operado por um botão nada intuitivo na lateral da alavanca, que é perfeitamente dispensável, visto que o câmbio é bem eficiente em trabalhar sozinho.

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A Ford divulga, conforme medições do Inmetro, consumo médio de 7,9 km/l com Etanol na cidade e 9,9 km/l na estrada. Já com Gasolina, os números ficam em 11,4 km/l para circuito urbano e 13,9 km/l para circuito rodoviário. Apesar desses valores otimistas, em nosso teste não conseguimos valores muito bons na prática. De acordo com os dados fornecidos pelo computador de bordo, o modelo fez uma média de 5,5 KM/l em trajeto urbano, sempre com o ar-condicionado ligado.

No final das contas, o Ford New Fiesta Titanium Powershift agrada pelo nível de tecnologia embarcada, pelos seus recursos de segurança e pelo bom funcionamento da transmissão de dupla embreagem, além de seu comportamento dinâmico exemplar. Embora o preço final seja elevado, não há hoje na concorrência qualquer modelo que ofereça uma oferta de equipamentos tão generosa nessa categoria, e isso é capaz de justificar as boas vendas do carro. O New Fiesta com certeza é o melhor modelo do segmento atualmente a venda no Brasil.
*FICHA TÉCNICA:

Motorização: 1.6
Alimentação Injeção multi ponto
Combustível Álcool Gasolina
Potência (cv) 130.0 125.0
Cilindradas (cm3) 1.597 N/D
Torque (Kgf.m) 16,0 15,4
Velocidade Máxima (Km/h) 190 190
Tempo 0-100 (Km/h) 12.1 N/D
Consumo cidade (Km/L) 7.9 N/D
Consumo estrada (Km/L) 9.9 N/D

Dimensões
Altura (mm) 1464
Largura (mm) 1787
Comprimento (mm) 3969
Entre-eixos (mm) 2489
Peso (kg) 1153
Tanque (L) 52.0
Porta-malas (L) 281
Ocupantes 5

Mecânica
Câmbio Dupla embreagem – somente automática de 6 marchas
Tração Dianteira
Direção Elétrica
Suspensão dianteira Suspensão tipo McPherson e dianteira com barra estabilizadora, roda tipo independente e molas helicoidal.
Suspensão traseira Suspensão tipo eixo de torção, roda tipo semi-independente e molas helicoidal.
Freios Dois freios à disco com dois discos ventilados.
*Dados do fabricante

Texto: Marcelo Silva Colaboração e imagens: Marcus Lauria – CarpointNews

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