Citroën C4 Lounge

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Geralmente antes de efetivamente dirigir um carro de teste, eu dou uma volta ao redor do modelo para apreciar seu design, especialmente se o carro em questão for uma nova geração, como é o caso do C4 Lounge, que chegou ao Brasil para ocupar o lugar do C4 Pallas. Mas dessa vez foi diferente, minha primeira atitude foi colocar a chave presencial no bolso, abrir a porta e me acomodar no confortável banco do motorista, acionando o motor através de um botão à esquerda do volante, como nos Porsche.

Sair da vaga foi fácil, o C4 Lounge traz sensores de estacionamento na dianteira e na traseira, além de câmera de ré, com visualização pela central multimídia no centro do painel. Além disso, comparado ao C4 Pallas, o sucessor está 15 cm mais curto, totalizando 4,62 m de comprimento. Enquanto o espaço interno não foi prejudicado, graças ao entre-eixos de 2,71 m, o porta-malas baixou de 580 para 450 litros, uma perda considerável.

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Mas essa redução no espaço para bagagem pode atuar como desculpa para não levar sua sogra na viagem, afinal ela definitivamente iria reclamar do ritmo da viagem, visto que o motor Prince 1.6 16V turbo de 165 cv de potência @ 6.000 rpm e 24,5 kgfm de torque @ 1.400 rpm dá uma vitalidade apaixonante ao sedã, ainda que o câmbio automático de seis velocidades e a massa de 1.437 kg atuem contra o belo motor. De acordo com a Citroen, o carro acelera de 0-100 km/h em 8,8 segundos, e sua velocidade máxima é de 214 km/h.

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Ainda que não sejam números tão expressivos de performance, é delicioso utilizar um carro cujo torque máximo chega em uma rotação tão baixa. Use o modo manual do câmbio e pressione o acelerador em qualquer marcha para sentir as costas colando no banco. Na estrada, dá para esquecer a sexta marcha engatada e viajar tranquiliamente no limite das rodovias brasileiras, seja com o cruise control ativado ou com o limitador de velocidade ativo, para evitar multas. Conforto, silêncio ao rodar e solidez são exemplares no C4 Lounge.

Utilizar o câmbio no modo manual e subir marchas cedo é a melhor forma de economizar combustível, visto que em D o carro segura as marchas mais do que o necessário. Com o modo S acionado, o carro ganha agilidade nas trocas de marcha e segura mais o giro, além de praticamente esquecer a sexta marcha. Na prática eu esqueci o botão S, visto que com um kick-down no D ou mesmo em modo manual, o câmbio reduz uma ou duas marchas e entrega a força necessária para a situação.

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O comportamento dinâmico do sedã é primoroso, com ajuste de suspensão que tem bom compromisso entre conforto e estabilidade, apesar do eixo de torção na traseira. Seus freios a disco nas quatro rodas (ventilados na frente) são ótimos, com calibração correta do pedal e atuação suave do ABS. Em curvas feitas no limite, a tendência do carro é neutra, exemplar, sendo que os pneus Michelin Primacy HP 225/45 R17 praticamente deixam o ESP de folga, mesmo sob chuva. Este duende eletrônico, por sua vez, pode ser desligado por um botão no painel, mas volta a funcionar automaticamente caso o motorista seja muito ousado nas curvas.

Como um bom carro francês, o carro traz alguns mimos interessantes, como os faróis bi-xenon direcionais, que acompanham o movimento do volante, iluminando curvas. São tão bons que você se pergunta como outros carros não trazem tal recurso. Há ainda um útil sensor de ponto cego nos retrovisores, que acende uma luz laranja sempre que um carro ou moto se esconde em áreas aonde os grandes retrovisores laterais não cobrem. O único porém deste sensor é que, sob chuva intensa, justamente quando os retrovisores molhados não ajudam muito, as luzes laranjas ficam acesas o tempo todo, dando uma falsa indicação da presença de carros no ponto cego.

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Em um carro tão bom, é difícil achar defeitos, mas há alguns pontos que poderiam ser melhorados no C4 Lounge, como o ar-condicionado pouco eficiente no calor do RJ, o volante de raio grande demais e a falta de borboletas para troca de marcha atrás do volante (existentes até no C3, qual é Citroen?), embora as trocas manuais possam ser feitas na alavanca. Talvez um defletor mais eficiente possa ser instalado no teto solar, pois o ruído com o teto aberto é insuportável na estrada. E a central multimídia sem tela touchscreen carece de comandos mais intuitivos, especialmente para o GPS.

No uso urbano, a boa suspensão filtra buracos com facilidade, embora algumas batidas secas possam ser observadas, em parte por causa dos pneus de perfil muito baixo. A direção eletrohidráulica tem baixo peso, e o diâmetro de giro de 11,1 m é razoável para o tamanho do carro, tornando fácil a vida do motorista em ruas estreitas ou quando é necessário estacionar nas vagas de rua cada vez mais escassas no Rio de Janeiro.

Após 1.600 km rodados em testes, chegamos a uma média razoável de consumo de gasolina, total de 8,1 km/l na cidade e 13,6 km/l na estrada, mas em situações de trânsito urbano pesado o computador de bordo chega a mostrar médias obscenas, como 4 km/l por exemplo. O fato de não ser flex é um ponto ruim a respeito do motor THP do C4 Lounge, pois com os valores da Gasolina tendendo a subir no curto/médio prazo, o consumidor comum poderá optar pela concorrência.

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Por falar em concorrência, tratando-se de desempenho, apenas o VW Jetta TSI fica à frente do C4 Lounge THP, mas seu preço é bem mais elevado. O Citroen sai por R$ 81.490 (R$ 84.590 como testado), enquanto o VW parte de R$ 92.890, mas traz motor 2.0 turbo de 211 cv e câmbio de dupla embreagem. Outro rival próximo é o Ford Focus, que se equivale ao C4 Lounge na versão Titanium Plus de R$ 90.890, que entrega 178 cv do motor 2.0 aspirado casado ao câmbio DCT. O Renault Fluence corre por fora com a versão GT com um belo 2.0 turbo de 180 cv e câmbio manual, que tem apelo mais esportivo, por R$ 88.990. Há ainda outros rivais como Honda Civic, Toyota Corolla e Chevrolet Cruze, menos divertidos e no mesmo patamar de preço em suas versões mais completas.

Porém, o maior concorrente do C4 Lounge, tanto em desempenho quanto em nível de equipamentos, mora em sua própria casa. Trata-se do Peugeot 408 THP, com o mesmo conjunto mecânico do C4, mas com visual diferenciado e preço mais em conta: a partir de R$ 75.990. Talvez escolher entre um desses dois franceses seja a dúvida do consumidor que busca um carro confortável, interessante e com desempenho agradável.

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*FICHA TÉCNICA:

Motor/Performance
Motorização: 1.6
Alimentação Injeção multi ponto
Combustível Gasolina
Potência (cv) 165.0
Cilindradas (cm3) 1.598
Torque (Kgf.m) 24,5
Velocidade Máxima (Km/h) 214
Tempo 0-100 (Km/h) 8.8
Consumo cidade (Km/L) 8.7
Consumo estrada (Km/L) 11.7

Dimensões
Altura (mm) 1505
Largura (mm) 1789
Comprimento (mm) 4621
Entre-eixos (mm) 2710
Peso (kg) 1423
Tanque (L) 60.0
Porta-malas (L) 450
Ocupantes 5

Mecânica
Câmbio Automática com modo manual de 6 marchas
Tração Dianteira
Direção Eletro-hidráulica
Suspensão dianteira Suspensão tipo McPherson e dianteira com barra estabilizadora, roda tipo independente e molas helicoidal.
Suspensão traseira Suspensão tipo eixo de torção, roda tipo semi-independente e molas helicoidal.
Freios Quatro freios à disco com dois discos ventilados.

*Dados do fabricante

Texto e imagens: Marcus Lauria – CarpointNews