Renault Sandero Dynamique 1.6

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Sua esposa finalmente acabou de se arrumar para uma festa de gala. Ela é a sua companheira de todos os momentos, a única dona do seu coração que não mora na sua garagem, e como vocês já se conhecem há algum tempo, o aspecto visual da sua nobre companheira já não lhe surpreende mais. Mas o estouro do cartão de crédito, todos aqueles litros de perfume caro e aquela considerável camada de maquiagem pesada fizeram algo interessante: sua esposa voltou a despertar algo no seu interior.

Assim é o novo Sandero. O bom e velho Sandero, aquele carro confiável e honesto, que você colocou na garagem mesmo sabendo que não era o mais sedutor da linha, mas também é aquele que não irá causar um sério desfalque nas contas do mês. Ok, assim como alguns se casam com top models e artistas de Hollywood, há também os que pouco se importam com a racionalidade do Sandero, mas do jeito que a Renault caprichou no visual do hatch, novos olhos estarão sob o modelo.

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Apesar de manter a mesma plataforma, o novo Sandero traz pouco de seu antecessor. Na dianteira, faróis, grade, para-choques e capô são totalmente novos, e na traseira as novidades estão nas belas lanternas, nos para-choques mais parrudos e na nova tampa do porta-malas. Nas laterais, apesar das portas manterem o mesmo desenho, contam com novos vincos, e os novos retrovisores trazem repetidores das setas. E não há forma sem função, o Cx baixou de 0,38 para 0,35.

Do lado de dentro as mudanças continuam, com novos e excelentes bancos, painel totalmente renovado e novos painéis de porta. A versão Dynamique traz, como opcional, a central multimídia batizada como Media Nav 1.2, e agora fica mais bem posicionada ao alcance dos olhos e das mãos, ao contrário do que ocorria no antigo Sandero. Outro opcional benvindo é o ar-condicionado automático, que funcionou bem em nossos testes. O volante de raio exagerado continua lá, mas agora traz botões de acionamento do controle de cruzeiro, enquanto os comandos satélites do rádio continuam posicionados na coluna de direção.

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A posição de dirigir continua a mesma, e isso significa bancos bem altos e coluna de direção sem regulagem de altura. Os comandos do retrovisor elétrico saíram de uma posição ruim (entre os bancos) para outra péssima (no painel, à esquerda do volante), obrigando o motorista a se esticar para alcançar os comandos. Os comandos dos vidros elétricos dianteiros estão na porta e agora bem integrados ao conjunto, mas os botões para os vidros traseiros voltaram para o painel. Desprezados os pesares, os grandes retrovisores tornam fácil a tarefa de manobrar o Sandero.

Espaço interno é com ele mesmo, e isso continua igual, graças às dimensões generosas: 4,06 m de comprimento, 1,73 m de largura, 1,53 m de altura e 2.59 m de entre-eixos. Isso deixa espaço suficiente para pernas e cabeças de todos os passageiros, mesmo que sejam 5 Marcelos de 1,90 m. O porta-malas de 320 litros é adequado, e não deixa margem para tentar deixar a sogra em casa na viagem de final-de-semana.

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Quanto ao vigor e desempenho, sua esposa, aliás, o Sandero, continua igual apesar da nova maquiagem. Seu motor 1.6 8V de 106 cv @ 5.250 rpm e 15,5 kgfm @ 2.850 rpm (etanol) continua o mesmo, ou seja, vigoroso em baixas rotações e anêmico em altas. A Renault se aproveitou deste bom torque em baixa para implementar um assistente de economia de combustível que indica, por meio de luzes no painel, o momento correto de trocar as marchas. Não é tão fácil obedecer às luzinhas sem atormentar a fluidez do trânsito, mas vale tudo para salvar os ursos polares e ganhar mais pontos no aplicativo de economia de combustível da central multimídia.

A suspensão continua bem calibrada, filtrando plenamente as irregularidades do piso e proporcionando conforto excelente para os ocupantes. Em curvas feitas com mais ímpeto, os pneus Bridgestone Turanza ER300 185/65 R15 gritam bastante e a carroceria rola sem parcimônia, mas o Sandero segue firme no traçado desejado, com tendência dianteira no limite. Os freios são bons, mas o pedal esponjoso transmite aos pés pouco do que ocorre nas rodas. Resumindo o comportamento dinâmico do Sandero, continua sendo um carro anestesiado, que não seduz aquele que busca um pouco mais de diversão, mas cumpre bem seu papel como um meio de transporte.

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Por fim, quanto ao seu bolso, o Sandero mostra bem o motivo pelo qual sempre foi um ótimo pretendente. Frugal, não abusou do consumo de etanol, rendendo 9,1 km/l em trânsito urbano pesado e 12,6 km/l em uso rodoviário. Seu preço, se não é uma pechincha, é ótimo perante concorrentes top de linha: R$ 43.180, sendo que o único pacote de opcionais custa R$ 1.600 e traz ar-condicionado automático, central multimídia Media NAV e sensor de estacionamento. De tudo isso, podemos concluir que a Renault acertou a mão, ou seja, se você tem um, vai adorar trocar por um novo. E, se você não tem um, deve olhar o Sandero com outros olhos.


 

*FICHA TÉCNICA:

Motor/Performance
Motorização:     1.6
Alimentação     Injeção multi ponto
Combustível     Álcool     Gasolina
Potência (cv)     106.0     N/D
Cilindradas (cm3)     1.598     N/D
Torque (Kgf.m)     15,5     N/D
Velocidade Máxima (Km/h)     179     N/D
Tempo 0-100 (Km/h)     11.0     N/D
Consumo cidade (Km/L)     N/D     N/D
Consumo estrada (Km/L)     N/D     N/D

Dimensões
Altura (mm)     1536
Largura (mm)     1733
Comprimento (mm)     4060
Entre-eixos (mm)     2590
Peso (kg)     1055
Tanque (L)     50.0
Porta-malas (L)     320
Ocupantes     5

Mecânica
Câmbio     Manual de 5 marchas
Tração     Dianteira
Direção     Hidráulica
Suspensão dianteira     Suspensão tipo McPherson e dianteira com barra estabilizadora, roda tipo independente e molas helicoidal.
Suspensão traseira     Suspensão tipo eixo de torção, roda tipo semi-independente e molas helicoidal.
Freios     Dois freios à disco com dois discos ventilados.

*Dados do fabrciante


 

Por Marcelo Silva / Fotos: Marcus Lauria – CarpointNews