Com lançamento simultâneo de 5 modelos 100% elétricos, o Grupo SHC coloca o Brasil no mapa da tecnologia mais avançada do mundo em veículos de energia limpa, junto a China, Alemanha, França e Reino Unido. Mas o caminho é difícil, principalmente por se tratar de Brasil, suas leis, taxas, impostos e cultura automotiva. Diferente do restante do mundo, como sempre. Leis retrógadas carregadas do sofisma da “proteção” (uma das coisas mais idiotas que se pode imaginar em tempos de corrida e liderança tecnológica) permearam – e permeiam – os corredores da indústria nacional, principalmente nas duas últimas décadas, onde poucos ganhavam muito para manter o Brasil e seu povo nos anos 1970.

As montadoras oferecem modelos totalmente elétricos em vários países já há anos. As alemãs Audi, BMW, Mercedes-Benz e Volkswagen comercializam os crossover e-Tron e EQC e os hatch i3, B-Class, e-Golf e e-Up, a sino-alemã BMW Brilliance oferece o suv Zinoro 1E, as chinesas BYD e Chery o crossover e6 e o hatch QQ3 EV, as norte-americanas General Motors os hatch Bolt e Focus, as francesas Citroën, Peugeot e Renault os hatch C-Zero, iOn, Zoe e o sedan Fluence, as japonesas Honda, Mitsubishi, Nissan e Toyota os hatch Fit EV, i-Miev, Leafe Prius, as sul-coreanas Hyundai e Kia os hatch Ioniq e Soul e os crossover Kona e e-Niro, a indiana Jaguar o hatch i-Pace, a chinesa Jac o hatch iEV6, os sedan iEV 4, iEV7e iEVA50 e o crossover iEV40, enfim, listados apenas os modelos de veículos de passageiros atuais das grandes montadoras. Até o momento, a oferta de veículos deste segmento por aqui se resume aos hatch BMW i3, Chevrolet Bolt, Nissan Leaf e Renault Zoe, e os Crossover Jaguar i-Pace e o Jac iEV40, versão elétrica do modelo T40 da montadora chinesa.

Com a chegada dos Jac iEV20, iEV40, iEV60, iEV330P e iEV1200T, o Grupo SHC está dando esse passo gigante e importantíssimo no setor automotivo, criando a obrigação da concorrência entrar na disputa por esse mercado, amparado por uma sólida estrutura. A China fez progressos notáveis nas últimas três décadas, tornando-se o maior mercado automotivo do mundo. Este o ritmo acelerado de urbanização e desenvolvimento econômico do país colocou enormes tensões nos recursos energéticos e no meio ambiente. Então, implantou padrões mais rigorosos de eficiência de combustível para carros novos de passageiros, estimulando a produção de veículos menos poluentes químicos e particulados do que os motores a gasolina ou diesel tradicionais. O Calcanhar-de-Aquiles dos veículos elétricos sempre foram as baterias, e o país deu mais um passo à frente com a criação de duas empresas – Anqing Ring New Group e Xi’an High Technology Group –, ligadas à Samsung, que também estabeleceu uma fábrica no país, sendo então a primeira empresa global de baterias automotivas a iniciar a produção em massa na China. A Base está alí!

Já a JAC, acrônimo de Anhui Jianghuai Automobile Co., Ltd., originalmente chamada Hefei Jianghuai Automobile Factory que surgiu em 1964, emprega mais de 7000 pessoas, e cobre uma área de quase 4,05 milhões de metros quadrados, é uma empresa de alta tecnologia da província de Anhui. Seus principais produtos incluem a fabricação de veículos comerciais em série inteiros, MPV, chassi de ônibus de 6 a 12 metros, motor, caixa de engrenagens, autopeças e componentes etc. Como a China subsidia o petróleo (um incentivo para a produção de carros elétricos), as montadoras chinesas veem oportunidades em carros não-térmicos, já que as empresas ocidentais ainda precisam se desenvolver muito para atingir a liderança na tecnologia. Já em 2010 a JAC começou a produzir carros elétricos, inicialmente com o modelo J3 EV, repaginado em 2012 como J3 iEV (o carro elétrico mais vendido na China em 2013). Hoje é uma das maiores no segmento. E agora o Grupo SHC está trazendo toda esta tecnologia de ponta em veículos movidos a eletricidade. A estrutura está aqui!

Agora que sabemos o “quem”, o “como”, o “onde” e o “porque” – regrinha básica do jornalismo muito esquecida ultimamente –, e como se trata de um (vários…) produto totalmente novo, fez-se necessário toda esta explicação… então, vamos aos carros!
Foram muitos modelos para pouco tempo de avaliação, então resumirei as primeiras impressões do Mundo Elétrico. É estranha a sensação de virar a chave no contato e não ouvir absolutamente nada. Se o motorista estiver acompanhado, invariavelmente ouvira a pergunta: “ligou”? Em movimento… bem, em movimento a estranheza pelo silêncio permanece, afinal são séculos de barulho e fumaça indicando que o carro está funcionando e andando. Em todos os modelos experimentados, o torque é enorme e imediato, e as acelerações são bastante rápidas – mas não é para isso que esses carros foram projetados; logo que acaba o encanto com a novidade, guia-se normalmente como qualquer outro carro. O que, aliás, é uma realidade porque, excetuando-se a motorização, em nada os modelos elétricos se diferem dos modelos a combustão. Ah, sim: pela complexidade na recarga das baterias, uma vez que no Brasil existem poucos postos que oferecem esta opção, viajar com qualquer um dos modelos é fora de questão.

Jac iEV20 – Hatch pequeno, mobilidade total (cabe em quase qualquer vaga), com 3,53m de comprimento, 1,64m, de largura e 1,47m de altura, possui 41 kWh de capacidade máxima de carga (320 km de autonomia), ideal para uso urbano, seu preço será R$ 119.900,00.

Jac iEV40 – Apresentado como um SUV pequeno, com 4.13m de comprimento, 1,75m de largura e 1,56m de altura, tem 40 kWh de baterias e atinge 300 km de autonomia. Preço: R$ 153.500,00

Jac iEV60 – Outro SUV, esse de porte médio, com dimensões não-informadas, será o modelo 100% elétrico mais refinado tecnologicamente do mercado brasileiro. Chega em julho de 2020, com 63 kWh de capacidade de carga e autonomia de 380 km.

Jac iEV330P – Esta é a primeira pick-up 100% elétrica no mundo. Porte médio – mesma categoria das Chevrolet S10 e Ford Ranger, por exemplo – cabine dupla, com caçamba grande, com 67 kWh de carga e 320 km de autonomia. O valor é na casa dos R$ 229.900, 00.

É um “mundo novo” que se desvenda em nosso país; logicamente, levará anos até que os carros elétricos tomem conta das cidades e, quando isso acontecer, a tecnologia já terá entregue acumuladores com muito mais capacidade de armazenamento, e as viagens serão possíveis. Lembra muito o produto “telefone celular”: quando chegou por aqui, era pesado, o sinal era ruim por ter poucas antenas, a bateria não durava nada e custava caro a beça; hoje, nada pode ser mais comum, funcional e barato do que um celular.

Texto: Renato Pereira – CarpointNews

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