Ótimo carro para a cidade, equipado com os recursos tecnológicos mais desejados no momento (versões mais caras), atendendo perfeitamente as expectativas de alguém que precisa de um carro pequeno para ir e voltar do trabalho. Cumpre com louvor o papel de primeiro carro, em função do tamanho.

Em mais um teste para o site CarPoint News, tive a oportunidade de experimentar um dos carros mais vendidos do Brasil: o Renault Kwid, um SUV compacto (subcompacto, na verdade) projetado pela montadora na Índia. Ao idealizar o Kwid, o time de engenheiros da Renault buscou criar um modelo para concorrer com o famoso Tata Nano. A versão que testei foi a Outsider, que é a mais completa. Custando em torno de R$45 mil, seria o Kwid Outsider uma boa compra?

Antes de mais nada, é importante esclarecer uma coisa. Sim, o Kwid é um SUV. De acordo com o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia, mais conhecido pela sigla INMETRO, qualquer veículo que apresenta uma determinada altura em relação ao solo, além ângulo de ataque e ângulo de saída acima de um determinado patamar, se enquadra na categoria de “SUV”. O Kwid supera esses indicadores normatizados pelo INMETRO, então é correto afirmar que o carro é um SUV, papo encerrado! 

Atualmente a Renault disponibiliza o Kwid em quatro versões: Life, Zen, Intense e Outsider. Todas as versões têm o mesmo motor tricilíndrico (o 1.0 SCe, que entrega 70cv/10kgfm no etanol e 66cv/9.6kgfm na gasolina), câmbio de cinco marchas e suspensão. Há também quatro airbags (dois frontais e dois laterais) em todas as versões, o que é bem bacana, considerando a categoria do carro. Câmbio automático infelizmente não está disponível, nem como opcional.

Faço questão de mencionar logo de cara minha experiência com os freios do carro. Lendo sobre o Kwid na internet, encontra-se muitos depoimentos negativos em relação aos freios do carro. A Renault deve ter ficado de orelhas quentes de tanto ouvir reclamações e resolveu tomar uma providência. Sem fazer alarde, a montadora equipou todas as versões 2020 do Kwid com freios a disco ventilados nas rodas dianteiras (anteriormente eram discos sólidos). Nas rodas traseiras continua o velho e bom tambor. Enfim, o fato é que o freio do carro está bem melhor. Freia de acordo com a sua proposta, transmitindo sensibilidade e segurança ao motorista durante as frenagens.

Voltando às versões do Kwid. A versão Life custa R$35 mil e vem com o desembaçador do vidro traseiro, indicador de estilo de condução (útil para controle do consumo), suporte isofix para cadeirinhas e…. é isso! Não tem ar condicionado, não tem trava elétrica, necas de direção elétrica (aquela que é super leve e não rouba potência do motor), nem som, nem para-choques pintados na cor do veículo. Esqueça tudo isso na versão mais simples do Kwid. Percebe-se que é um carro voltado para frotas. Talvez por apostar que essa não será a versão mais vendida, a Renault leva 32 dias para entregar um Kwid Life. As outras três versões são entregues praticamente na metade do tempo, ou seja, 17 dias.

Passando para a versão Zen, o salto é bem grande e justifica os R$ 5 mil a mais (preço passa a R$ 40 mil). Nessa versão você já encontra muitos itens desejáveis como faixas pretas adesivas na parte inferior das portas (a Renault chama esse adesivo de “stripping connect”), para-choques na cor do carro, direção elétrica (SIM!), travas e vidros elétricos, além do indispensável ar-condicionado. O carro também vem com um som 2DIN (aqueles maiores, que ocupam o espaço de dois aparelhos convencionais), que inclusive oferece diversas conexões: bluetooth, auxiliar P2, USB e Apple Connectivity. Nada mal!!

Agora, se você topar pagar mais R$ 3 mil no Kwid (ou seja, R$43 mil no pequeno guerreiro francês urbano), você tira da concessionária a versão Intense. Essa versão dá outro salto em termos estéticos e tecnológicos. Para começar, a chave do carro é canivete. Pode parecer um detalhe, mas faz diferença. A chave canivete do Kwid é bem bonita. O carro ganha faróis de neblina e uma grade frontal cromada. O porta-malas recebe um revestimento acarpetado, melhorando bastante o visual do porta-malas. Já o painel passa a contar com um computador de bordo repleto de funções e um conta-giros. E não para por aí… O Intense vem com um multimídia completo da Renault (Media Nav 2.0), mas que infelizmente não suporta Android Auto e Apple Car Play. Há também câmera de ré integrada ao multimídia, que funciona espetacularmente bem. Por sinal me acostumei rapidamente com essa “camerinha”, todos os carros deveriam vir com isso. Há outros pequenos incrementos na versão Intense como apoio de cabeça para o terceiro ocupante no banco traseiro, bolsões no encosto dos bancos dianteiros. 

E o que sobra para a versão Outsider? O carro é um subcompacto, carro de entrada da Renault, o que mais pode oferecer esse pequeno veículo urbano? Custando aproximadamente R$ 2 mil a mais do que a versão Intense (R$45 mil), o Kwid Outsider traz detalhes estéticos exclusivos e um multimídia evoluído (Media Nav Evolution), este sim compatível com Android Auto e Apple Car Play. Essa compatibilidade permite ao condutor rodar apps como Waze e Spotify diretamente na tela do multimídia. Depois que se tem um carro com essa função, não dá mais para ficar sem de tão útil que é. Externamente, o carro ganha calotas pretas e borrachões nas portas exclusivos, além de barras decorativas no teto “estilo bagageiro” (não se trata de um bagageiro funcional, não suporta carga). O farol de neblina ganha uma moldura estilo offroad.

Há também “skis” frontais e traseiros (aquelas barras cinzas em plástico que imitam uma proteção de aço na parte inferior dos para-choques). No lado externo das portas fica o adesivo OUTSIDER, e as maçanetas são na cor da carroceria. Já no interior do carro estão os bancos com forração exclusiva, dotados do logotipo OUTSIDER. Ficaram muito bonitos. Há também belos detalhes na cor laranja nas portas, no volante e na alavanca de câmbio. Tudo de muito bom gosto, deixando o carro com um visual mais “offroad”. A versão OUTSIDER conta também com um console central diferenciado, que acomoda um porta-moedas, um porta-copo e as entradas USB e auxiliar do multimídia. Graças a essa localização estratégica das entradas, na versão topo de linha do Kwid os fios do celular ficam escondidos, bem acomodados no console central. 

E sensor de estacionamento, o Kwid não tem? É acessório vendido a parte, podendo ser instalado em qualquer versão. Também são vendidos nas concessionárias como acessórios: protetor de cárter, módulo “onetouch” dos vidros elétricos (com um toque é possível subir ou descer o vidro), vidros elétricos traseiros e uma organizadora compatível com o bom porta-malas do Kwid (290 litros, o maior da categoria!)

Agora chega de papo. Como é dirigir o pequeno francês? O motor 1.0 SCe empurra bem os 750kg do Kwid (alcançando 806kg na versão Outsider), considerando a proposta do carro. Seria o Kwid o carro mais leve nacional produzido em série? Acredito que sim, desconheço outro mais leve.   O baixo peso permite ao Kwid acelerar rápido nas saídas de semáforo, acompanhando com facilidade os demais carros. Até 3.500rpm o motor desenvolve bem. Depois disso, parece não fazer muito sentido continuar acelerando, pois o carro fica sem fôlego.

Em relação ao consumo, fiquei abaixo da média indicada pela montadora. Consegui 8.8km/l no etanol em um circuito 80% urbano, 20% estrada, andando com o ar condicionado ligado o tempo todo e sem grandes preocupações com consumo. No sistema de controle de consumo que fica no multimídia, ganhei apenas 1 estrela no quesito “aceleração”!

Abastecido com etanol, a Renault declara que o Kwid deveria fazer 10.3km/l na cidade e 10.8km/l na estrada. Já na gasolina a Renault divulga um consumo médio de 14.9km/l na cidade, e 15.6km/l na estrada. Se eu me esforçasse para ganhar mais estrelas do sistema de controle de consumo multimídia, apelando para os acessórios tecnológicos do carro que ajudam o motorista a poupar combustível (indicadores de troca de marcha e estilo de condução, em especial), acredito que conseguiria alcançar as marcas indicadas pela Renault. 

A suspensão do Kwid é adequada para a proposta do carro, filtrando muito bem as imperfeições do solo. Faz bem as curvas e pula pouco nas ondulações do asfalto. Por ser mais elevada, encara com facilidade valetas, quebra-molas e rampas de estacionamento. Nada raspa, mesmo com o carro carregado.

A posição de dirigir é adequada às preferências atuais do mercado, fazendo o motorista sentir-se elevado. Ao volante dá para enxergar todo o capô do carro, dando uma sensação de se estar guiando um carro grande e alto. Você se sente ao volante de um jipe, literalmente. O grande concorrente do Kwid é o Mobi, subcompacto da Fiat. A versão mais em conta do Mobi (Easy) custa R$32 mil, enquanto que a mais cara alcança R$48 mil. O Mobi, diferentemente do Kwid, tem versão automática, algo que é bastante apreciado nos dias de hoje.

No mercado, entretanto, o Kwid anda levando a melhor, chegando a vender quase o dobro de unidades em relação ao concorrente. O principal motivo para isso está na relação custo-benefício do modelo. Optando pelo Renault, o consumidor paga menos e leva para a garagem um carro com uma distância entre-eixos melhor, porta-malas maior, dotado de 4 airbags e equipado com os recursos tecnológicos mais desejados do momento.   

 O QUE EU GOSTEI

  • Relação peso-potência
  • Preço
  • Repleto de acessórios, inclusive multimídia
  • Tamanho do porta-malas

O QUE EU NÃO GOSTEI

  • Pedal da embreagem vibra quando acionado
  • Sensor de ré é opcional, devendo ser instalado nas concessionárias
  • Não há ajuste de altura e profundidade no volante
  • Poderia ter uma versão automática

*FICHA TÉCNICA:

Mecânica

Motorização 1.0

Combustível Álcool             Gasolina

Potência (cv)            70       66

Torque (kgf.m)         10       9,6

Velocidade Máxima (km/h)            156     152

Tempo 0-100 (s)      14,7   

Consumo cidade (km/l)      10,3    14,9

Consumo estrada (km/l)    10,8    15,6

Câmbio          manual de 5 marchas

Tração           dianteira

Direção          elétrica

Suspensão dianteira          Suspensão tipo McPherson, roda tipo independente e molas helicoidal.

Suspensão traseira             Suspensão tipo eixo de torção, roda tipo semi-independente e molas helicoidal.

Dimensões

Altura (mm)   1.474

Largura (mm)           1.579

Comprimento (mm)             3.680

Peso (Kg)      786

Tanque (L)    38

Entre-eixos (mm)     2.423

Porta-Malas (L)        290

Ocupantes    5

*Dados do fabricante

Por Arnaldo BittencourtFotos: Marcus LauriaCarpointNews.com.br

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